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Os avós também possuem direitos e deveres com relação aos seus netos

  • coimbraesalazar
  • há 1 dia
  • 3 min de leitura

Os avós desempenham papel relevante na formação afetiva e social dos netos, sendo frequentemente figuras de apoio, referência e estabilidade dentro do núcleo familiar.


No âmbito jurídico, essa importância ultrapassa o campo meramente moral e encontra respaldo na legislação e na construção jurisprudencial, especialmente no que se refere ao direito à convivência desses parentes e à obrigação alimentar subsidiária e complementar. Toda essa análise deve ser guiada pelo princípio do melhor interesse da criança e do adolescente, previsto na Constituição Federal e reafirmado no Estatuto da Criança e do Adolescente, que estabelece a proteção integral como prioridade absoluta.


A convivência familiar não se limita à relação entre pais e filhos. O conceito contemporâneo de família é mais amplo e abrange também os vínculos construídos com parentes próximos, sobretudo quando existem laços afetivos consolidados. Nesse cenário, a convivência entre avós e netos deixa de ser vista como mera liberalidade dos pais e passa a ser compreendida como expressão do direito da própria criança de manter relações familiares saudáveis e diversificadas. A legislação civil brasileira admite, inclusive, que o Poder Judiciário regulamente o direito de convivência dos avós quando houver conflito ou impedimento injustificado por parte dos genitores.


O entendimento consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que o direito à convivência avoenga decorre da solidariedade familiar e deve ser assegurado sempre que for benéfico à criança. Naturalmente, esse direito não possui caráter absoluto. Caso se verifique que a convivência traz prejuízos à integridade física, psicológica ou emocional da criança, poderá o magistrado restringi-la ou até suspendê-la. A prioridade é sempre a proteção da criança e do adolescente, de modo que qualquer decisão deve estar fundamentada em elementos que demonstrem risco efetivo ao seu bem-estar.

Já no campo da obrigação alimentar, a responsabilidade dos avós surge de maneira excepcional e complementar. A regra geral estabelece que o dever de sustento é dos pais. Entretanto, diante da impossibilidade total ou parcial dos genitores de cumprir essa obrigação, admite-se que os avós sejam chamados a contribuir. Trata-se de expressão concreta do dever de solidariedade entre ascendentes e descendentes, previsto na legislação civil brasileira. Nessa hipótese, é possível que os avós sejam incluídos no polo passivo da ação de alimentos, seja desde o início, seja mediante chamamento no curso do processo.


A obrigação avoenga, contudo, não é automática. Exige-se a demonstração de que os pais não possuem condições suficientes para arcar com os alimentos. Apenas após essa comprovação é que se admite a participação dos avós, que poderá ocorrer de forma complementar, ajustando-se às necessidades do neto e às possibilidades financeiras dos avós. Esse cuidado evita que se transfira indevidamente aos avós uma responsabilidade que, originariamente, pertence aos genitores. Registre-se, ainda, que há entendimento no STJ no sentido de que o litisconsórcio passivo entre todos os avós do alimentando é necessário, embora existam posicionamentos minoritários pela sua facultatividade.


Na fixação dos alimentos avoengos, aplica-se o critério da proporcionalidade entre necessidade e possibilidade. Deve-se considerar que muitos avós são aposentados ou pensionistas, frequentemente enfrentando despesas médicas e limitações próprias da idade. O dever de contribuir não pode comprometer a sua própria subsistência digna, sob pena de igualmente violar os seus direitos fundamentais.


Por fim, é essencial que as famílias compreendam que o diálogo e a cooperação entre genitores e avós são sempre o caminho mais saudável para a criança. Quando isso não é possível, o Poder Judiciário dispõe de mecanismos para assegurar que esses vínculos sejam preservados ou, quando necessário, adequadamente limitados. O que deve prevalecer, em qualquer hipótese, é a proteção integral da criança, garantindo-lhe o direito a uma convivência familiar ampla, equilibrada e segura — na qual os avós ocupam lugar de especial importância.

 
 
 

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